domingo, 2 de junho de 2013

Sincretismo Religioso - Paralelo com Castro Alves


             

Nota-se que uma grande da população brasileira cultua a fé católica, mas pratica um cristianismo popular, mais chegado ao animismo nativo e ao fetichismo, trazido pelo negro escravo, do que na doutrina católica ministrada pelo colonizador. Ex.: Os Orixás africanos herdaram o nome dos santos do catolicismo.

PARALELO...


Castro Alves, conhecido também como poeta dos escravos, fez jus a essa denominação. Suas obras de cunho social e político, além de apresentar os anseios dos negros em busca da liberdade por meio da abolição da escravatura, também mostrava em suas poesias a realidade da vida dos negros, desde o transporte deles nos navios negreiros até a fixação no Brasil. Estes foram oprimidos culturalmente e religiosamente, não podendo ter a liberdade de manifestar e expressar suas insatisfações, perante a vida sofrida que tiveram na época.

Durante o período da Escravatura no Brasil, nas senzalas, para poderem cultuar os seus Orixás, os negros foram obrigados a usar como camuflagem altares com as imagens de santos católicos, cujas características melhor correspondiam às suas Divindades Africanas, e por baixo desses altares escondiam os assentamentos dos Orixás, dando assim origem ao chamado Sincretismo. Mesmo usando imagens e crucifixos, os seus cultos e rituais inspiravam perseguições por parte das autoridades e da Igreja, que viam o Candomblé como paganismo e bruxaria. O Candomblé durante os séculos incorporou muitos elementos do Cristianismo. Crucifixos e imagens eram exibidos nos templos, os Orixás eram frequentemente identificados com Santos Católicos.

                              

Sabe-se hoje, segundo alguns pesquisadores, que este sincretismo já teria começado em África, induzido pelos próprios missionários para facilitar a conversão dos indígenas.
Depois da libertação dos escravos, começaram então a surgir as primeiras casas de Candomblé, fato que representa uma possível liberdade de culto religioso.

No entanto, nos últimos anos, tem aumentado um movimento “fundamentalista” em algumas casas de Candomblé, que rejeitam o sincretismo com os elementos Cristãos e procuram recriar o candomblé “mais puro”, baseado exclusivamente nos elementos Africanos.

Conhecendo as características e atributos de cada Orixá, e conhecendo também os santos católicos, facilmente perceberá as razões que levaram ao Sincretismo ou correspondência de cada Orixá com um determinado santo católico. Temos alguns exemplos:

Oxalá - Jesus Cristo
Oxóssi - São Sebastião
Iemanjá - Nossa Senhora dos Navegantes
Ogum - São Jorge

                    

Fontes:


Por Gabriel Gomes


Sincretismo Religioso no Brasil



O sincretismo religioso foi uma prática muito comum entre os habitantes das diversas cidades brasileiras desde a época do Brasil colônia, perdurando até hoje. O termo sincretismo etimologicamente significa “combinar”, do grego synketizou. Com isso, o termo sincretismo passou para a história das religiões também para o estudo antropológico, indicando uma combinação de ritos, procedentes de tradições não homogêneas, até atingir um conjunto de formas religiosas comuns. De fato o Brasil é considerado um dos países mais religiosos do mundo devido às várias diretrizes culturais as quais incorporou durante a sua colonização. Negros, índios e brancos europeus fincaram no Brasil suas raízes, tanto no plano material (edifícios, praças, dentre outros) como também no plano imaterial (cultura), destacando-se a questão da religiosidade, visto que o catolicismo foi introduzido como religião oficial pelos portugueses e jesuítas durante a colonização no Brasil. A Igreja conviveu também com o catolicismo popular, com o candomblé e a umbanda, trazidos pelos negros vindos da África; também com o protestantismo, rituais indígenas, etc. Sincretismo, portanto, é a fusão de religiões, ritos, crenças e personagens culturais.


Fonte:


Por Gabriel Gomes

Metal contra as nuvens - Legião urbana

                                
Letra:

I
Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.
Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.

Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.
Olha o sopro do dragão...

II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.
Olha o sopro do dragão...

III
É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

IV
- Tudo passa, tudo passará...
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.

O Soldado dos Escravos


No século XIX, o Brasil passava por um processo de intenso trafico de escravos, com o propósito de servirem de mão-de-obra para as lavouras de café. Durante esse período as pessoas tratavam a escravidão como algo normal, logo não tinha interesse algum para as injustiças em que os negros eram submetidos, e estes ao tentar se expressar era açoitado e castigado severamente.

                          

No livro “Amor do soldado”, de autoria do escritor baiano Jorge Amado, retrata a última parte da breve vida de Castro Alves, entre 1866 e 1870, onde ele divide sua energia e sua inspiração entre duas paixões exigentes: Eugênia Câmara e a luta pela libertação dos escravos e pela instauração da República. O livro descreve Castro Alves sendo um escritor de grande importância para o Brasil, que revolucionou, lutando pela democracia e a abolição da escravatura.

                     

Para os escravos que não tinha o poder de se expressar, Castro Alves foi sua palavra, pois ele foi expressivo a respeito dos direitos dos negros, sendo estes humanos e de acordo com o artigo I dos direitos humanos, Castro Alves não estava errado, “Artigo I: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.” Podemos observar de acordo com essa declaração, que o negro não merece ser escravo. Castro Alves em seu tempo destacou-se, pois com coragem conseguiu transmitir isso às pessoas, através de seus poemas. Não só escrevia, mas também saia às ruas para expressar seus sentimentos, falando em praças publicas e chamando as pessoas a fim de entender a “outra” realidade, a qual vivia os escravos.



Fontes:

http://www.companhiadasletras.com.br                                            

Autores: Luan Lorenzo e Artur Lins

Vida de escravo é sofrida ! :(

O trecho demonstra como os escravos chegavam ao Brasil depois da longa viagem pelo atlântico nos deploráveis navios negreiros (com doenças, exaustos, com fome) e a exploração que sofriam posteriormente pelos "senhores" de escravos e dos engenhos de açúcar:

"Desembarcados, exaustos, sangrando pelo “mal de Luanda”, o escorbuto infalível, ulcerados, arquejando ao peso da “barriga-d`água”, os escravos quase sempre, iam recuperar as forças e recobrar a saúde acampados debaixo dos cajuais multimilionários de ácido ascórbico“ Costume velho. Já os negreiros e os senhores de engenho praticavam o internamento dos negros debilitados pela longa travessia oceânica ou dos atacados de ascites, cobertos de feridas, esgotados pela árdua tarefa dos eitos, nos cajuais praieiros, de onde dois ou três meses depois regressavam curados." (CASCUDO. História da alimentação no Brasil, p. 223.).

          

Fonte: 

Será???


A temática de Castro Alves




A liberdade de expressão é um direito humano, garante a qualquer indivíduo a possibilidade de se manifestar, de buscar e receber informações e ideias de todos os tipos e Castro Alves utilizava essa liberdade em suas obras. Ele retratava o lado feio e esquecido pelos primeiros românticos: a escravidão dos negros e a opressão e a ignorância do povo brasileiro. A linguagem que utilizava nas suas obras era grandiosa, caracterizada pelo uso de apóstrofes. Além das suas obras de poesia social, também utilizava o tema liberdade em outras poesias líricas, épicas e também no teatro. Castro Alves utilizava essa forma de expressão para dar um tratamento critico e realista. O Navio Negreiro foi uma de suas mais importantes obras, pois denunciava a escravidão dos transportes dos negros ao Brasil. A liberdade de expressão entre os homens deve ser cumprida com certa medida.



"Oh! Bendito o que semeia 
Livros ... livros à mão cheia ... 
E manda o povo pensar! 
O livro caindo n'alma 
É germe – que faz a palma, 
É chuva – que faz o mar." (Castro Alves)


"A partir do momento que o povo pensa, questiona e delibera, logo manifesta suas vontades e foge da alienação" (Gabriel Gomes)

“... as palavras são os calculadores dos sábios, que só com elas calculam; mas constituem a moeda dos loucos que a avaliam pela autoridade de um Aristóteles, de um Cícero, ou de um Tomás, ou de qualquer outro doutor que nada mais é do que um homem.” (Thomas Hobbes).


Fontes:

http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3130564
http://pensador.uol.com.br/frases_de_castro_alves/
http://liberdadepolitica.wordpress.com/2009/12/07/o-povo-ao-poder-castro-alves/

Por: Fernando Ramos